:: Informes Técnicos
   

   Medicamentos Utilizados na Disfunção Erétil por via Intracavernosa                                            

 

   Em 1982, especialistas nas áreas de neurofisiologia e cirurgia vascular, iniciaram divulgações de trabalhos científicos sobre a administração intracavernosa da papaverina (para ereção e ejaculação) e fenoxibenzamina e propuseram seu uso no tratamento da disfunção erétil, como vasodilatadores intracavernosos. A partir daí surgiram vários trabalhos propondo combinação de papaverina e fentolamina que tem se apresentado mais eficaz no efeito erectogenico do que a papaverina como monodroga.
   Para compensar o alto custo da fentolamina na época, foram propostas formulações com papaverina (9,88mg) associada a clorpromazina (0,24mg).
   A partir de 1986 surgiu a utilização da PGE1 no tratamento de disfunção erétil, vindo substituir a papaverina e em alguns casos substituir a papaverina associada à fentolamina.
Desde então os especialistas propuseram inúmeras combinações de drogas facilitadoras da ereção em variadas concentrações, adequando da melhor maneira possível a formulação à necessidade de cada paciente, seja apenas Prostaglandina E1 ou Prostaglandina E1 + Fentolamina, Prostaglandina E1 + Papaverina, Papaverina + Fentolamina ou Papaverina + fentolamina + Prostaglandina E1.
   As associações são mais eficientes, menos onerosas e têm menos efeitos adversos que a monoterapia, e devem ser feitas por manipulação. O priaprismo é a complicação imediata mais freqüente e pode ser evitada com ajuste de dose adequada (iniciar sempre com a dose baixa e ir aumentando progressivamente).
   A clorpromazina pode substituir a fentolamina.

Drogas Facilitadoras

Fentolamina

   A fentolamina na disfunção erétil, em injeção intracarvernosa é considerada uma droga facilitadora da ereção, potencializando a ação de outras drogas, como a papaverina e ou prostaglandina E1, (PGE1).
   A injeção intracarvernosa de fentolamina apresenta um efeito relaxante não específico sobre os vasos penianos e não tem efeito sobre o retorno venoso. Produz apenas um estado de tumescência peniana breve, sem ereção, quando é utilizada como monodroga.
   Sua meia-vida plasmática é curta, de apenas cerca de 30 minutos.
   As doses habitualmente utilizadas vão de 0,1mg até 1,5mg. A hipotensão constitui o principal efeito adverso da fentolamina. A estimulação gastrintestinal pode resultar em dor abdominal, náusea e exacerbação da úlcera péptica. A fentolamina deve ser utilizada com muita cautela em pacientes com arteriopatia coronária ou história de ulcera péptica.

Clorpromazina

   A clorpromazina na disfunção erétil em injeção intracavernosa atua como bloqueador alfa-adrenérgico, apresentando efeito semelhante a fentolamina, sendo porém de baixo custo e acessível.
   A maior dificuldade quanto a exigência de apresentação é a retenção da receita para formulações contendo clorpromazina.

Papaverina

   A papaverina é um inibidor não seletivo da fosfodiesterase, potencializando o acúmulo de GMPc e AMPC, relaxando a musculatura dos sinusoides e das artérias helicinais nos corpos cavernosos, através do bloqueio dos canais de ingresso rápido de cálcio e favorecendo os mecanismos de depleção de potássio.
   A injeção intracavernosa de papaverina atua como relaxante não específico e induz a ereção em pacientes com circulação vascular normal. (Virag, 1982; Virag etal, 1984). Desde 1983 (Brindley), tem sido relatado o uso de injeção intracavernosa de papaverina associada a fentolamina para provocar ereção em pacientes com impotência neurológica.
   A papaverina tem uma meia-vida plasmática curta de 1 a 2 horas e é metabolizada no fígado. A papaverina não se metaboliza no corpo cavernoso e alcança uma concentração máxima no plasma, 30 minutos depois da administração intracavernosa.
   Efeitos sistêmicos da papaverina são hipotensão arterial e toxicidade hepática que regridem com a suspensão da droga.
   Quanto às complicações locais, estas incluem fibrose difusa nos corpos cavernosos, principalmente em diabéticos, devido à ação irritante exercida por sua acidez, e priapismo, que se pensa seja decorrente da falta de metabolismo local.
   As soluções intracavernosas podem ser administradas como monodroga em doses de 2,5 a 90mg ou em associação com fentolamina e ou PGE1.
   São necessários vários testes realizados pelo médico para avaliar e estabelecer a dose mínima de papaverina necessária e a técnica de aplicação para evitar riscos de ereção prolongada. O tempo de ereção não deve chegar a 3 horas. Nesse caso ocorre o risco do prisprismo anóxio (com dor) e necrose cutânea.

   O paciente deverá retornar ao médico se o tempo de ereção for prolongado ou se apresentar desconforto e hipotensão.

Prostaglandina E1 (PGE1) – Alprostadil

   Alprostadil é a forma sintética da Prostaglandina E1. A PGE1 pode ser usada no tratamento da impotência. A PGE1 tem se mostrado bastante eficaz, alcançando sucesso em 79% dos casos, independente da etiologia. A injeção intracavernosa desta prostaglandina produz ereção parcial ou completa nos pacientes impotentes que não têm distúrbios do Sistema Vascular ou lesão dos corpos cavernosos.
   A PGE1 provoca um aumento de AMPc, o qual diminui a concentração de cálcio livre e, como conseqüência, relaxa o músculo liso do corpo cavernoso. Além dessas ações diretas sobre o músculo liso, a PGE1, reduz o tônus adrenérgico constrito, ao inibir a liberação da noradrelina através de receptores pré-funcionais nas terminações nervosas adrenérgicas.
   A meia vida plasmática da PGE1 é de 1 minuto. A nível sistêmico, o metabolismo ocorre no pulmão, onde se metaboliza em torno de 60 a 80%.
   A PGE1 provoca baixa incidência de priaprismo (menos de 1%) devido a ocorrência de metabolismo local intracavernoso de parte da droga. A fibrose intra cavernosa não é freqüente. A ação relaxante no corpo cavernoso humano tem sido clinicamente comprovada. Em altas doses, produz tumescência, porém não se obtém ereção peniana. Pode ocorrer dor no local da injeção em 20% dos pacientes.
   A injeção deve ser feita de cinco a dez minutos antes da relação sexual, em parte lateral do pênis, em ângulo reto, na parte próxima à raiz do mesmo, utilizando-se agulha de insulina. Deve-se comprimir o local por alguns segundos após aplicação. A complicação tardia mais freqüente é a fibrose intracavernosa. Os pacientes deve ser examinados a cada 6 meses e o tratamento deve ser interrompido em caso de fibrose. Utilizando-se a papaverina deve-se dosar as enzimas hepáticas semestralmente.

Bibliografia

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